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Educação 4.0 e Tecnologia: não se deixe mais enganar!

Educação 4.0 e Tecnologia: não se deixe mais enganar!

 

Neste programa do Canal inovaE4, o Prof. Dr. Cassiano Zeferino de Carvalho Neto, autor do modelo teórico da Educação 4.0, faz uma revisão crítica radical a respeito dos conceitos de Mídia e Tecnologia, desmistificando a forma imprecisa e de senso comum com que vêm sendo tratados esses termos.

 

A falta de precisão conceitual confunde as pessoas que acabam acreditando em um mito chamado ‘Tecnologia’, quando na verdade a tecnologia é parte essencial da forma como nós humanos agimos ao tentar resolver um problema.

 

Para o âmbito educacional o problema é ainda mais grave, pois tende a levar a crer que o “uso” da tecnologia (Tecnologia não se usa, mas se cria e se implementa!), será como que a ‘varinha mágica’ que irá transformar a educação. Nada mais falso!

 

O poder está com as pessoas, pois o hemisfério direito do cérebro se ocupa dos atos criativos (‘Techné’) enquanto o hemisfério esquerdo processa os caminhos lógicos e quantitativos (‘Logos’), donde surge a revisão do conceito de Tecnologia.

 

Acompanhe este programa, até o final e se surpreenda! Você não vai mais ver o mundo da mesma forma depois desta experiência de pensamento e ação.

Canal inovaE4, inovando sempre.

 

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Saiba mais[1]

 

A respeito de Tecnologia, por se constituir na atualidade em um conceito que encerra frequentes equívocos ao ser utilizado, será preciso providenciar, antes, uma revisão crítica para o mesmo.

Tanto “técnica”, quanto “tecnologia” têm a mesma raiz no verbo ‘tictein’, do grego “criar, produzir, conceber, dar à luz”. É preciso notar que o termo tecnologia incorpora o sufixo ‘logos’, em sua acepção de ‘razão’. Assim, anota-se uma diferença conceitual e estrutural entre técnica e tecnologia. ‘Techné’, também para os gregos, expressava um significado amplo e carregava o conceito de arte, no sentido que não se reduzia a mero instrumento ou meio. Nas palavras de Lion, citado por Carvalho Neto[12], “Não era um mero instrumento ou meio (referindo-se à tecnologia), senão que existia num contexto social e ético no qual se indagava como e por que se produzia um valor de uso. Isto é, desde o processo ao produto, desde que a ideia se originava na mente do produtor em contexto social determinado até que o produto ficasse pronto, a Techné sustentava um juízo metafísico sobre o como e o porquê da produção. […]. Em seu livro, Ética a Nicômano, Aristóteles esclarece que a Techné é um estado que se ocupa do fazer que implica uma verdadeira linha de raciocínio. A Techné compreende não apenas as matérias-primas, as ferramentas, as máquinas e os produtos, como também o produtor, um sujeito altamente sofisticado do qual se origina todo o resto” (LION, 1997, p. 25).

Na linha desta revisão para o significado de Tecnologia buscou-se (re) significar o próprio termo, resgatando-o das concepções reducionistas que o mesmo vem tendo, confundindo-o com o puramente instrumental, como destacam Alvarez Revilla e outros (1993) apud Lion, apud Carvalho Neto[12], pag. 97:

 

Uma utilização reducionista levou, inclusive os especialistas, a englobar sob este termo apenas os artefatos (aparelhos, máquinas, etc.) principalmente aqueles considerados como “novas tecnologias” […]. Isto gerou a crença de que a fabricação e a utilização de ferramentas são determinantes do progresso, aspecto que carece de uma mais cuidadosa interpretação de contextos que se desenvolvem no transcorrer do tempo.

 

 

As considerações críticas apresentadas por Revilla e outros, a respeito da visão reducionista da tecnologia, pode ser empiricamente observada no âmbito educacional aqui citado como exemplo. É comum se ouvir a expressão “tecnologia” proferida por alguém que se refere a um computador, ou uma sala repleta deles, ou mesmo pelo fato de se haver entregue tablets a estudantes de uma escola ou, ainda, porque a sala de aula contempla uma lousa digital (interativa e outras designações). Ora, o computador em si não é uma tecnologia, assim como nenhum dos equipamentos ou dispositivos dentro de uma sala de aula ou mesmo da escola são, mas, podem ser instrumentos ou, se preferível for, ferramentas de gestão da informação e que envolve mídia. O equipamento ‘computador’ deriva de várias tecnologias, mas não é “a” tecnologia!

Outros termos, empregados de forma imprecisa ou descuidada, quando se referem a “novas tecnologias”, também são frequentemente observados no momento em que profissionais que atuam na educação, ou em outras áreas do conhecimento, se dirigem a equipamentos de comunicação tais como projetores multimídia, quadros digitais e outros dispositivos como “novas tecnologias”, em si, emprestando-lhes, portanto, significados imprecisos que não raras vezes tendem a gerar inconsistência conceitual e disso decorrem consequências as mais variadas, com impacto negativo para os processos de criação e de intervenção na educação.

A falta de entendimento preciso do conceito de tecnologia também alcança o conceito de mídia. A mídia está relacionada à informação e sua produção, trânsito, armazenagem, recuperação edição etc. Como todos os dispositivos tangíveis (‘hardware’) e intangíveis (‘software’) produzem, transmitem ou armazenam informação estes podem ser considerados mídia. Nesta perspectiva o conceito de mídia se expande para além de sua conotação clássica e alcança modalidades que contemplam sistemas de Mediaware, Audiovisuais, Podcast, Simuladores, Animadores, Infográficos, Jogos Digitais, Complexmedia, Hipermídia e outras.

Aprofundando-se ainda mais o âmbito dessa revisão crítica que o assunto exige será preciso, antes, separar e redefinir os conceitos de mídia, técnica e tecnologia, ainda que esta preocupação se faça, mais especificamente aqui, voltada para o universo da educação.

Como referência buscou-se a relação íntima e praticamente inseparável entre Cultura e Tecnologia que se revela na obra de Vygotsky[13], para quem

 

As tecnologias da comunicação são como utensílios com os quais o homem constrói realmente a representação que, mais tarde, será incorporada mentalmente, se interiorizará. Deste modo, nossos sistemas de pensamento seriam fruto da interiorização de processos de mediação desenvolvidos por e em nossa cultura. [12] (pag. 98).

 

O foco está posto no sistema social. As produções tecnológicas sempre incluem significado e sentido cognitivos. Os humanos usam signos, instrumentos culturais e artefatos para mediar suas interações entre eles mesmos e com seu meio ambiente. A essência da conduta humana reside em seu caráter mediatizado por ferramentas e signos. Entender que a tecnologia é um produto sociocultural e que serve, além disso, como ferramenta física e simbólica para vincular-se e compreender o mundo que nos rodeia é uma derivação importante do pensamento de Vygotsky[13] e a mídia está presente, na perspectiva de ser instrumento de e para a informação.

Como já apontado, frequente ouve-se pessoas se referindo à “tecnologia” disponível em um laboratório de informática (sala com computadores), ou mesmo à existência de um projetor multimídia ou, ainda, um quadro digital (‘lousa interativa’) em uma sala de aula, como se os equipamentos, por si mesmos, fossem “a” tecnologia. Este é um equívoco conceitual grave e, pior, conduz a conclusões e posturas que acabam por limitar tanto a criatividade na autoria e condução dos processos pedagógicos, quanto a tomada acertada de decisões com vistas ao atendimento educacional.

Por exemplo, ao elaborar uma aula um professor está intimamente vivenciando um processo tecnológico (na acepção aqui revista, em Techné + Logos). Será preciso, por um lado, pôr em andamento um ato criativo ‘Techné’ que busca resolver o problema de como estabelecer uma comunicação significativa professor-aluno e, por outro, incluir e estruturar o conhecimento científico, artístico, religioso ou outro que seja, fundamentado em ‘Logos’, como um discurso, um enredo ou, ainda, um script da ciência, um discurso da razão. Este processo se dá na interioridade de cada um e Tecnologia, neste contexto, significa criar processos que dependerão de técnicas (o como fazer) e de mídias (informação, o “que” do conteúdo) que possam efetivar a ação e a comunicação educacional.

Portanto, Tecnologia é arte e razão, criação e conteúdo, processo que se inicia na mente e se irradia pelo meio social pela instalação de processos, contemplando interações entre pessoas-pessoas e pessoas-coisas, lócus do subjetivo e do objetivo que, de fato, não se separam. Técnica é procedimento, o como se faz e para quem é feito e mídia é tudo o que se relaciona à informação, sua produção, trânsito, armazenagem, recuperação e fluxo.

 

Referência[1]

 

Educação 4.0: princípios e práticas de inovação em gestão e docência. Laborciencia editora: Santo Amaro da Imperatriz/SC, 2017. (5ª edição, 2019).

Cassiano
Zeferino de Carvalho Neto
é fundador e presidente do Instituto Galileo Galilei para a Educação
(IGGE, 1997) e fundador e chairman do
Instituto para a Formação Continuada em Educação (IFCE, 1999). É fundador da
Laborciencia editora (1989 – atual) e autor do projeto de criação do
Laboratório de Pesquisa em Educação Científica e Tecnológica do Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA, 2014 – 2017), instituição onde realizou dois
pós-doutorados, com ênfase em Inovação na Educação em Engenharia (Projeto Inova
ITA – CAPES/ITA, 2019) e em Educação Digital e Ensino de Física (2011 – 2012).
Tem doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento e Mestrado em Educação
Científica e Tecnológica, ambos realizados na Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC, 2011, 2006). É especialista em Qualidade na Educação Básica
(INEAM/OEA/USA, 2004) e sua formação é em Pedagogia e Física pela PUCSP (2004, 1982).
Tem formação técnica em Eletrônica Digital e Analógica (1973, 1972).

Currículo na Plataforma
Lattes
:
 http://lattes.cnpq.br/9405094271594195

Referências

CARVALHO NETO, C. Z. Educação 4.0: princípios e práticas de inovação em gestão e docência. São Paulo: Laborciencia editora, 2019. 5ª ed. Livraria: https://4educa.com.br/produto/livro-educacao-4-0/.

Educação 4.0. Curadoria pró-inovação
em Educação 4.0. Disponível em: www.inovae4.com.br.